Nós, agostinianos recoletos, nos unimos à Igreja universal para celebrar o Dia da Criação, 1º de setembro, uma tradição que remonta ao século V na liturgia oriental e que hoje tem um profundo acento ecumênico. Inspirados por Santo Agostinho, renovamos nossa gratidão pelo dom da criação e nosso compromisso de guardá-la com esperança.
O que é que celebramos no dia 1 de setembro?
O Dia da Criação Dia da Criação comemora o mistério de um Deus que, por Cristo, “chamou todas as coisas à existência”. Não é um “Dia da Terra” alargado: é uma festa de fé que coloca Deus no centro e abraça toda a ordem criada – a terra, o céu, as estrelas – como um dom que inspira adoração e responsabilidade. Na tradição oriental, este dia simboliza o “princípio” da criação.no princípiobíblico “no princípio”; em 1989 o mundo ortodoxo convidou todas as igrejas a rezar em conjunto e a grande maioria respondeu aderindo à celebração anual. É um sinal de unidade cristã em torno do louvor e do carinho.
Este dia abre também o Tempo da Criação (1 de setembro a 4 de outubro), um caminho de oração, conversão e compromisso que culmina na festa de S. Francisco de Assis.
Uma tradição que une o Oriente e o Ocidente
O Dia da Criação, também chamado Festa da Criação, tem as suas raízes na tradição litúrgica da Igreja Ortodoxa desde o século V, como comemoração do mistério do ato criador de Deus. Em 1989, o Patriarca Dimitrios I convidou todas as igrejas cristãs a juntarem-se em oração no dia 1 de setembro. Desde então, a celebração adquiriu um profundo carácter ecuménico, unindo católicos, ortodoxos e comunidades cristãs numa oração comum ao Criador.
Mais do que um dia do ambiente, é uma festa da fé: celebrar que Deus é o Criador de todo o universo, da terra e das estrelas, do visível e do invisível. Colocar Deus no centro é a chave deste dia, que nos recorda que a criação é dom e tarefa, dom e responsabilidade.
A mensagem do Papa Leão XIV
Na sua mensagem para este dia, o Papa Leão XIV recordou que “o mundo precisa de mensagens de esperança, e tu és essa mensagem”. Convidou os fiéis a serem guardiões da criação e testemunhas da paz, sublinhando que o cuidado da Casa Comum não pode ser separado do anúncio do Evangelho e da construção de um mundo reconciliado.
O Santo Padre sublinhou que este compromisso implica também uma espiritualidade de discernimento, capaz de reconhecer a ação de Deus na natureza e na história, para responder com gestos concretos que defendam a dignidade de cada pessoa e a integridade de toda a criação.
Santo Agostinho: interioridade, ordem do amor e do cuidado
Da tradição agostiniana, interioridade y cuidado andam de mãos dadas. Como recorda o agostiniano recoleto P. Enrique Eguiarte Na espiritualidade de Agostinho, a criação é um “sinal” que nos conduz ao Criador: quanto mais descemos ao coração do coraçãomais aprendemos o ordo amoris (ordem do amor) que coloca Deus em primeiro lugar e nos permite amar retamente todas as coisas. A conversão nasce dentro e torna-se visível fora: respeito pela vida, sobriedade alegre, justiça para com os vulneráveis e cuidado com o bem comum. cuidado com o bem comum.
Para Santo Agostinho, além disso, a Igreja vive “com uma só alma e um só coração voltados para Deus.uma só alma e um só coração orientados para Deus“uma comunidade que escuta, discerne e age. O cuidado da criação é uma expressão desta caridade bem ordenada.
Uma visão agostiniana da criação
Santo Agostinho recorda-nos que “tudo o que existe traz em si a marca do Criador”(Conf. X,6). Nesta perspetiva, a espiritualidade agostiniana convida-nos a viver o cuidado da criação como um ato de amor ordenado: agradecer o dom recebido e usá-lo com responsabilidade, orientando-o sempre para o bem comum.
Para Agostinho, a criação não é um fim em si mesma, mas o lugar onde Deus se revela a nós e onde aprendemos a descobrir a ordem do amor. Amar a criação é, portanto, aprender a amar a Deus em todas as coisas e a servi-lo no concreto e no quotidiano da nossa vida.
Como vivê-la de maneira agostiniana recoleta
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Oração e silêncio interiorOração e silêncio interior: agradece o dom da criação; pede novos olhos para reconheceres Cristo nas pequenas coisas.
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Sobriedade e justiça: Escolhe gestos concretos (poupar água e energia, evitar o desperdício, consumo responsável) que beneficiem estes últimos.
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Comunidade em movimentoJunta-te à tua paróquia, escola ou grupo em iniciativas locais de reflorestação, limpeza, reciclagem ou apoio a famílias afectadas por crises ambientais.
Oração com toda a Igreja
Hoje nós, agostinianos recoletos, rezamos com a Igreja universal, dando graças pelo dom da criação e pedindo a graça de guardá-la fielmente. Fazemos nossa a oração de coleta da nova forma da missa pela criação:
Deus Pai, que em Cristo, primogénito de toda a criação, chamaste todas as coisas à existência, concede-nos que, dóceis ao sopro vivificante do teu Espírito, guardemos com amor a obra das tuas mãos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, teu Filho, que contigo vive e reina na unidade do Espírito Santo e é Deus pelos séculos dos séculos. † Amém.
Com Santo Agostinho, rezamos para que este 1º de setembro nos encontre inquietos por Deus, agradecidos pela Casa Comum e fiéis no cuidado das pequenas coisas, onde está em jogo a grandeza da nossa vocação cristã.


